Um pouco sobre a minha linha de pesquisa...
Título: Conectores (supra)oracionais do domínio da adição no português brasileiro contemporâneo: um estudo centrado no uso
Descrição:
Este projeto de pesquisa vincula-se a uma ampla agenda de trabalho desenvolvida por dois grupos de pesquisa: Conectivos e Conexão de Orações[1] e Discurso e Gramática[2], ambos sediados na Universidade Federal Fluminense. Visa a descrever, analisar e comparar diferentes estratégias de conexão do domínio da adição no português brasileiro em termos de suas propriedades morfossintáticas, semântico-cognitivas e discursivo-pragmáticas. De um lado, busca descrever e analisar construções conectoras menos prototípicas do português, a saber: [D1 sem Vdicendi (que) D2], [D1 fora X D2] e [D1 (como) (se) não bastasse (X) D2]; de outro, compara essas construções em termos da forma e do significado com outros conectores mais prototípicos, já descritos em perspectiva funcional, como a conjunção coordenativa aditiva e, os correlatores não só... mas também... (e pares análogos) – cf*.* Rosário e Gervásio (2020) –, bem como o conector hipotático de extensão além de (Rosário; Santos, 2022), de modo a observar possíveis interseções entre essas construções – isto é, casos de variação construcional (Cappelle, 2006; Perek, 2015) – e, especialmente, diferenças funcionais quanto aos seus distintos contextos de uso e efeitos de sentido. A pesquisa é desenvolvida à luz dos pressupostos teóricos da Linguística Funcional Centrada no Uso (Rosário, 2022; Bispo e Lopes, 2022) e subsidiariamente aos estudos de Haselow (2016) sobre as duas dimensões da gramática. Emprega metodologia qualiquantitativa (cf. Lacerda, 2016), recorrendo a dados sincrônicos de corpora de língua escrita formal, em busca de generalizações da forma e da função dos objetos investigados. Na dimensão quantitativa, empregam-se também testes estatísticos, como a árvore de regressão de inferência condicional (cf. Hothorn; Hornik; Zeileis, 2006; Speybroeck, 2012) e análise colexêmica simples (Stefanowitsch; Gries, 2003). Parte-se das seguintes hipóteses: na dimensão do significado, as construções conectoras sem Vdicendi (que), fora X, como se não bastasse, não só... mas também..., além de distinguem-se pragmaticamente da conjunção e, no sentido de que o relevo argumentativo recai sobre o argumento que sucede o conector. Nas formas complexas prototípicas – [não só D1 mas também D2] e [D1 além de D2] – , esse relevo sobre o conteúdo expresso em D2 ocorre de forma mais “neutra” quando comparada às formas não prototípicas, ocorrendo em sequências expositivas ou argumentativas. Já as não prototípicas, por sua vez, restringem-se às sequências argumentativas, em contextos linguísticos em que predominam elementos de natureza avaliativa. Ainda a esse respeito, acredita-se que a construção [D1 sem Vdicendi (que) D2] usualmente introduz um argumento de lambuja, uma espécie de informação menos relevante, mobilizada para “dar o golpe final” (cf. Koch, 2004, p. 73). Tal argumento tende a apresentar-se como o último elemento na cadeia argumentativa, haja vista que introduz um tópico que é normalmente descontinuado no fluxo textual. [D1 fora X D2] envolve um tipo de construal (cf. Langacker, 2008) que cognitivamente reduz a importância do argumento apresentado em D1 para dar relevo à informação em D2. [D1 (como) (se) não bastasse (X) D2] envolve, para além da adição, uma postura epistêmica (cf. Fillmore, 1990) do falante para com o conteúdo veiculado, quase sempre expressando uma avaliação negativa por parte do enunciador. Por fim, na dimensão da forma, as construções aqui investigadas apresentariam diferenças quanto aos níveis do conteúdo expresso em D1 e D2, que podem ser suboracionais, oracionais ou supraoracionais. Parte-se da ideia de que as formas complexas não prototípicas são mais produtivas em contextos supraoracionais; as prototípicas, em contextos suboracionais e oracionais.
Palavras-chave: Conexão (supra)oracional. Domínio da adição. Linguística Funcional Centrada no Uso.
[1] http://cco.sites.uff.br/ - Acesso em 08 dez. 2025.
[2] https://deg.uff.br/ - Acesso em 08 dez. 2025.
Título: Conectores (supra)oracionais não canônicos do português: um estudo centrado no uso
Descrição: Neste projeto, propomos uma abordagem fundamentada nas dimensões da microgramática e da macrogramática (cf. HASELOW, 2016) para a descrição de conectores (supra)oracionais que atuem ora como articuladores sintáticos, ora como operadores argumentativos. Postulamos que esses elementos se distinguem quanto aos princípios de serialização quando articulam diferentes porções do texto. Na dimensão da microgramática, os articuladores sintáticos organizam relações hierárquicas de natureza morfológica e/ou sintática entre constituintes próximos, em um escopo textual relativamente pequeno. Na dimensão da macrogramática, os operadores argumentativos envolvem um escopo textual mais amplo e captam aspectos da própria enunciação e da noção de gênero como macroconstrução (cf. HOFFMAN; BERGS, 2018). Para dar conta dessa proposta, empregamos os pressupostos teórico-metodológicos da Linguística Funcional Centrada no Uso (cf. TRAUGOTT; TROUSDALE, 2013; ROSÁRIO; OLIVEIRA, 2016; entre outros), em diálogo com os estudos da Linguística de Texto (cf. KOCH, 2002; KOCH; ELIAS, 2017; entre outros), na análise de dados empíricos do uso linguístico. Para esta pesquisa, interessa-nos a investigação, em perspectiva sincrônica, diacrônica ou pancrônica, de conectores não canônicos do português que articulem orações, períodos e/ou parágrafos. Trata-se, portanto, de uma proposta de pesquisa com objetos relativamente abertos e variados, que se articula mais facilmente aos estudos desenvolvidos sob minha orientação em nível de graduação (iniciação científica) e de pós-graduação (mestrado e doutorado). Como ilustração, exploramos, neste projeto, dois conectores aditivos complexos que vêm sendo investigados em nível de doutoramento: [com isso] e [sem Vdicendi que].
Palavras-chave: Conectores (supra)oracionais. Microgramática e Macrogramática. Linguística Funcional Centrada no Uso. Linguística de Texto.
Título: Relações coesivas e semânticas das construções conectoras [prep isso] à luz da Linguística Funcional Centrada no Uso.